quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Sobre um vale.

E aquela rosa, finalmente chegou a secar.
Seu reflexo ao espelho, desapareceu.
Onde está sua alma agora?
Quebradiça.
Nadando em um vale de lágrimas
Águas salgadas
Amargas
Melancólicas.
Que te sugam a vida.
Te sugam a liberdade e a juventude.
O vale também secou ao tocá-la.
Aquele campo verde, desbotou.
Cores beges escuras ao redor.
O que ela vê ao penetrar naquele sádico horizonte ?
Infinito nada.
Anda sem sair do lugar.
Grita sem omitir som.
Chora sem escorrer lágrimas.
Pular com os pés no chão morto.
Procura sem encontrar nada.
Mal sabe o que está procurando.
Como será a verdadeira forma da libertação?
Seria um animal com asas?
Seria um feixe de luz branco e calidamente iluminado?
Tudo o que sempre imaginara.
Sem perceber um manto negro está a devorar seus restos.
Seu coração foi arrancado a força e colocado em uma balança de prata.
Se seu coração for mais leve que uma pena, terá um chance de sobreviver.
Sim, seu coração é mais leve.
Mas não por ser tão puro quanto pensava.
Estava enrugado como uma bexiga ao chegar próxima demais de uma agulha fina.
Só seus tecidos jogados ali naquela bandeja que refletia seu olhar triste.
Mesmo que se remende aqueles furos no peito, nunca mais voltara a ser como era.
Foram as traiçoeiras agulhas da vida.
Foram as lâminas afiadas de uma adaga de palavras.
Nesse mundo onde todos são agulhas e todos são adagas.
Acredito que até eu seja uma delas.
Provavelmente.
E ela pensa com cuidado..
'' Como se enche uma bexiga que está furada? ''

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sobre pétalas vermelhas.

Não,eu não sou um pássaro.
Não,eu não sou um gato pardo.
O que eu sou? Não sei dizer.
Talvez eu seja uma forma não reconhecida ainda.
Só vista pelos que tem olhos afrodisíacos.
Sim, eu sou uma sombra iluminada que passa pelos cantos das paredes.
Eu passo pelas ruas.
Invisível como o vento.
Sente-se e não vê.
Invisível no escuro e na luz.
Transparente e incolor.
Sem cheiro, sem tom.
Que cor sou eu?
Não sei que cor sou eu.
Sou uma mutação de cores ambulantes.
Nunca serei a mesma cor.
Não tenho cor para os olhos sólidos dos juízes que me apontam o dedo.
Não sou o réu e não sou a testemunha.
Estou em julgamento,mesmo que não me vejam.
Sou uma gota de chuva.
Sou um sopro.
Sou uma rosa vermelha.
Tenho espinhos, mas não são para te machucar.
São para me proteger daqueles que arrancam minhas pétalas pequeninas e fragilizadas, mesmo que assim ,raras e não conhecidas.
Por que diamantes são tão valorizados? Por que existem pouco deles por ai?
São raros.
Por que as pessoas que são raras como os diamantes não são tão valorizadas?
Por que não somos como lindos diamantes?
Tudo seria mais fácil.
Estou escondida em uma pedra.
Sou uma pedra.
E ainda sim sou uma flor.
Que perfume singular.
Apenas os beija-flor chegam a mim.
Os outros animais não possuem todo o esplendor de um pássaro como o beija flor.
As pétalas não caem sozinhas.
São arrancadas.
Sou uma flor murcha.
Coloque-me em um jarro de água?
Está tão difícil achar um de um copo de vidro delicado e fresco.
Essa rosa está amassada no chão,apodrecendo com os materiais orgânicos
Que se decompõe lentamente.
Estão cansados de existir.
Tire esta flor de lá, toque em seus espinhos.
E se doer, perceba que não há veneno por mais que tenha feito um corte em seu dedo.
Essa flor está doente.
Só precisa de um pouco de água para florecer novamente.
Quem sabe da próxima vez nasça mais bonita do que antes.
Seu perfume já estava sutil, e sua cor desbotada com os dias chuvosos.
Sou uma flor..
jogada no vento.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Sobre asas negras.

Moço de asas negras.
Por que as machuca tanto?
Ele dorme, com lágrimas vermelhas
Coração latejante.
O que é você?
Pequeno homem, me conte.
Grande menino, o que é você?
Por que esconde suas penas?
Aquele garoto não sabia chorar..
O que ele aprendeu enquanto voava na masmorra da vida?
As surpresas são armadilhas..
que o aprisionaram
Eu vejo lanças em suas asas.
Aquela prisão virou seu lar.
Seu bem precioso.
Lastimável.
No que ele sonha agora?
Suas nuvens ilusórias estão rindo.
Ele dorme tranquilo,
seus suspiros se esvaneiam no ar tão docemente.
Meu menino das asas negras, dorme..
ao amanhecer o menino cresce..
o menino cresce todas as manhas..
o menino cresce toda vez que suas pálpebras descobrem seus cálidos olhos cansados.
Quando o castanho claro se apaga do seu olhar e a lua resolve chegar.. ele nasce mais uma vez...dorme menino.
Tranquilo como o sereno.
Suspirando profundamente.
O sol já chegou.
Acorda moço.
Levanta da cama, homem sério.
Guerreiro da luz, e guardião da escuridão.
Suas asas continuam, suspensas em baixo do seu cheiro e de sua roupa.
Seus olhos são o dia..
seus olhos são as noites..
seus olhos não sabem, seus olhos não vêem seu nascimento,quando a lua resolve se encontrar com o sol.
Suas asas mesmo que frágeis, são fortes também..
defendem o menino que se transforma, dos maldosos males.
E protegem os que estão com as suas asas quebradas e encolhidas.
Aquela menina não consegue tocar suas mãos..
seus pés descansos pisam em pequenos caquinhos de vidro espelhados no chão frio.
Mas ela não aprendeu ainda tirar os olhos do anjo escuro.
Em uma noite, ela encontrou aquele anjo em sua cama dormindo..
e tocou seu rosto.
E viu ele acordar.
As noites ficaram claras..
os dias foram cobertos por mantos..
as tardes não existem.
Uma menina se afogou no gosto amargo de suas próprias lágrimas que devoraram sua face lentamente..
aquele anjo, tocou sua pele, e beijou seu rosto com cuidado.
Seus lábios rosados..secaram a umidade do rostinho pequeno da menina.
Fabuloso garoto, que corre pelos céus meus.
Fabuloso garoto, sombra e luz daqueles meus sonhos-pesadelos.
Fabuloso garoto, que aponta a direção.
Aquela menina admira suas asas escuras.
Aquela menina te viu dormindo, ela sabe dos seus medos e dos seus desejos.
Aquela menina viu quando seus cílios compridos se separaram nos feixes do sol..
onde está o menino?
Ela viu o moço sair pela porta..
em seu sonho.
E ao acordar, ainda estava sonhando..
Vi penas negras..em minha cama essa noite.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Sobre rosas vermelhas.

Queria encantar-te.
Ser a menina dos olhos teus.
Entusiasmar sua alma.
Enfeitiçar seu sentidos e iludir seu coração. Manipular seus desejos.
Não sou francesa, nem vivo nas músicas do passado.
Não sou tão cult quanto queria, ou tão engraçada a ponto de te surpreender.
Mas na ausência dos minutos, aquela menina invadiu seus gostos e dominou sua imaginação.
No reflexo de seus olhos, naquela tarde.
Suas pupilas contraídas me contaram seus segredos.
Vi meu reflexo solto nos seus sonhos escuros.
No vento.
Aquela menina se transformou, sem saber.
Passou pela strepetese da alma.
Sem ao menos se notar, agora está se vendo em seu sorriso despreocupado.
Aquelas grandes asas longas com penas brancas envolvem sua pele queimada do sol. Não quero os olhares de outros seres,
nem outros amores,
poesias.
Ela aprendeu a despertar algo novo em pequenos cantos teus.
'' Não há razão nas coisas feitas pelo coração ''
Insistir em gostar do inverso.. que irracionalidade, mas ao mesmo tempo..
Que sensação gostosa.
Experimentar o proibido.
O tédio me persegue quando estou nos olhos não-seus.
Meu menino, aeroporto de olhares meus.
Meus limites já podem superar sua facilidade com o emprecionar-se.
Caminhando contra o vento sem lenço,
sem documento.
Nada no bolso ou nas mãos.
Vou percorrendo as longas estradas da contradição e da loucura.
Da suculenta loucura do amar.
Uma rosa vermelha perdida nos cantos de uma rodoviária.
Ainda está em suas mãos.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Sobre minha despidida

Que minha solidão me sirva de companhia.
Que eu tenha a coragem de me enfrentar.
Que eu saiba ficar com o nada.
E mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.
C.L.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sobre o segredo das paredes.

Cada dia que passa mais envelheço e ainda não aprendi a viver.
Não sou filha da liberdade. Vejo a fria face do medo congelada na velocidade do tempo.
Minhas angustias sussurram em meu ouvido. Você sabe o que é voar pelas noites entre os gatos pardos e ouvir a doce melodia destemida da madrugada ?
Os muros da cidade.
A vida das calçadas.
Não sei que cor tem as ruas depois do crepúsculo.
Conheço bem meus lençóis.
Escuto o barulho das paredes brancas do meu quarto, sei seus segredos íntimos.
O tic tac dos relógios no mudo silêncio.
Algo me escapa entre os dedos molhados de lágrimas solitárias, mais um ''eu'' no mundo paulistano.
A brisa que foge pelas frestas da minha janela vem me contar coisas que não posso entender..
Elas não se cansam de esfregar-se em meu rosto. Sua sensualidade misteriosa que passeiam e chamam alguém engaiolado dentro de minha consciência.
Por que os fantasmas em bege me seguem?
Deixe me esquecer do que não vi.
Queria ser ''metamorforizada'', não em pássaro ,nem em gatos, mas em sensações e em palavras ocultadas pelo breu.
Onde estão os olhares invasores que procuro e a música que me envolve no ar não iluminado?
Onde está o não dito,
o desentendido?
Os copos e os passos despreocupados?
O escuro e o fantasiado?
A loucura não percebida ou a atitude descabida?
O som
e meus toques?
A ausência dos pensamentos em contra-passos?
O pulsar violento das batidas de um coração cansado?
O sentido distorcido?
Os lençóis, os botões e a malha preta dos vestidos?
Quero entrar nesse túnel infinito e nunca visto e fugir com a brisa e a música pelas mesmas frestas de minha janela.
Eu quero o dom dos lobisomens.
Entender antigos poetas,
sentir a companhia das sombras,
e rir com esses novos amores nas festas do desconhecido.
Tu, meu amor, me leve porque não quero mais voltar para o meu dono que nunca soube dormir sem cobrir seus cegos olhos exaustos.
Me leve...para poder dizer que entendo.
Agora acordo e meus lençóis ,mais uma vez , me observam.

sábado, 7 de novembro de 2009

Sobre meu garoto.

Aquele garoto quer gritar, você pode ver?
Já estão secas suas lágrimas, por isso não chora.
Ele vê o mundo como um grande carrossel, que gira, gira, gira e gira.
Ele fecha os olhos, e grita.Mas som nenhum sai de sua boca.
Seu peito deseja explodir.Ele deseja ajudar alguém, mas suas mãos são muito curtas.
Ele deseja confortar alguém, mas o silêncio é mais forte que ele.
Não sabe o motivo de sua raiva.
Ele é apenas um jovem como outros, o que pode ele ter de diferente?
Senti-se impossibilitado, incapaz.
O grito dele acalmaria outro coração, ele tem certeza.
Ele é herói, vilão ou refém?Abra a boca, deixe essa bomba sair.
Ajude-a.
Ajude-se.
Ele quer ver-se só, o mundo é frio de mais para todo seu amor.
Agora ele começa a se acalmar, é vencido pelo cansaço.
Sente seus olhos pesados, já não se sustenta em pé.
Cai.
Dorme.
E dormindo ele chora.
Escrito por Victor Macedo - blog Sinfonia de cores (http://torvicstankowich.blogspot.com/)

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sobre um assassinato melancólico.

Se voce quiser ir,
eu vou deixar.
Vai em paz.
Vai com Deus.
Que eu possa lembrar de cada vão momento..
Vivo,
presente,
eterno..
Como uma borboleta que cresce
e que um dia voa, porque esse é seu destino.
Vai.
Leva consigo os sorrisos,
os olhares e as palavras,
a brisa daquelas tardes e noites.
As juras de amor.
E lembra,
que um dia fomos um,
que tua alma tocou a minha
que parte de mim estará indo também.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Sobre ventos hipnóticos.

Beije-me
como se nunca estivesses dentre os meus lábios
Toque-me
como se jamais visse tal pele
E, leva-me contigo,
nos olhos, na mente, no coração.
Apenas leva-me.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Sobre o aniversário de um ícone.

69 anos,amanhã. 1. Um sonho que você sonha sozinho é apenas um sonho. Um sonho que você sonha junto (com outras pessoas) torna-se realidade.
2. Eu acredito em Deus, mas não como uma coisa única, um velho sentado no céu. Eu acredito que o que as pessoas chamam de Deus, está dentro de cada um de nós. Eu acredito que Jesus ou Maomé ou Buda e todos os outros estavam certos. Foi só a tradução que foi feita errada.
3. Eu não acredito em matança, seja qual for a razão!
4. Se todos lutassem por paz em vez de por outro aparelho de televisão, então haveria paz.
5. Se você tentasse dar outro nome para o rock'n'roll, então ele seria Chuck Berry.
6. Se alguém pensa que paz e amor é um clichê deixado para trás no fim dos anos 60, isso é um problema. Paz e amor são eternos.
7. A vida é o que acontece quando você está ocupado fazendo planos.
8. Meu papel na sociedade, ou de qualquer artista ou poeta, é tentar expressar o que nós sentimos. Não é dizer às pessoas o que sentir. Não como um pregador ou como um líder, mas como um reflexo de nós mesmos.
9. Nossa sociedade é conduzida por pessoas insanas com objetivos insanos. E acho que estou sujeito a ser posto de lado como um insano por expressar isso. Isso é que a insanidade.
10. Rituais são importantes. Hoje em dia está na moda não ser casado. Eu não quero estar na moda.
11. O que os anos 60 fizeram foi nos mostrar as possibilidades e a responsabilidade que cada um tem que ter. Não era a resposta final. Só nos deu um vislumbre da possibilidade.
12. Quando você está se afogando não pensa "eu ficaria imensamente satisfeito se alguém tivesse a providência de notar que estou me afogando e viesse e me ajudasse". Você apenas grita.
13. Para nosso último número, quero pedir a ajuda de todos. As pessoas nos lugares mais baratos podem bater palmas? E o resto de vocês aí (nos lugares mais caros) apenas chacoalhem suas jóias.
14. Se as pessoas prestam alguma atenção naquilo que falamos, então eu digo que nós estivemos envolvidos no mundo das drogas e que não existe nada melhor do que não estar mais viciado.
15. Eu sempre considerei minha obra como uma coisa só e acho que meu trabalho só estará encerrado quando eu estiver morto e enterrado e espero que isso demore muito tempo. (N.R.: Ele falou isso numa entrevista para a rádio RKO no dia de sua morte).
John Lennon

domingo, 4 de outubro de 2009

Sobre o que tu cativas.

E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho. - Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! desculpa, disse o principezinho.- Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços"
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no no mundo...
Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.
O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo, que é dourado, fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor...cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...
Assim o principezinho cativou a raposa. Mas quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é sua, disse o principezinho, eu não te queria fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
O pequeno príncipe

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sobre megalhas.

Eu quero a sorte de um amor tranqüilo
Com sabor de fruta mordida
Nós na batida, no embalo da rede
Matando a sede na saliva
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum trocado pra dar garantia
E ser artista no nosso convívio
Pelo inferno e céu de todo dia
Pra poesia que a gente não vive
Transformar o tédio em melodia
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum veneno antimonotonia
E se eu achar a sua fonte escondida
Te alcance em cheio o mel e a ferida
E o corpo inteiro feito um furacão
Boca,
nuca,
mão,
e a tua mente, não
Ser teu pão, ser tua comida
Todo amor que houver nessa vida
E algum remédio que me dê alegria
Todo amor amor que houver nesta vida - Cazuza

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Sobre novas estações.

Aurora amarelo alaranjado, uivo ,canto ,grito.
Notas musicais.
Frio de outono cheiro da noite brotando luz do luar, negro esverdeado com
pinceladas anil-rosa-avermelhado
Terra cheiro gotas molhadas fogo que nasce pra aquecer.
O veludo das flores.
Delicadeza. Levemente adocicado.
[..]
Consegue sentir o cheiro da primavera nas entrelinhas?

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Sobre a inutilidade humana.

Os cachorros nascem, comem, cagam, reproduzem, vivem felizes e saltitantes e morrem.
As hienas nascem, comem, cagam, reproduzem, vivem felizes e saltitantes e morrem.
Os sapos nascem, comem, cagam, reproduzem, vivem felizes e saltitantes e morrem.
Os seres humanos nascem, comem, cagam, reproduzem, complicam tudo, planejam ser felizes e saltitantes e morrem.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sobre uma inexistência escura.

Naquele minuto,decidiu o seu destino.
Seus ouvidos lhe contavam palavras com espinhos escondidos.
Tão neutralizada. Um rosto sem expressão,respousando nas frias mãos.
Olhares vagos e sem vida.
Existência? Que existência?
Viver por obrigação? Ora,francamente.
Nenhuma exaltação,nenhum aceleramento cardíaco.
Muito estranho.
Algo semelhante a uma morte lenta.
Apáticatimente transparente.
Oca por si só.
Sons adormecidos em sua boca triste.
Pensamentos imobilizados.
Muitos deles ainda caminhavam pela mente,mas estavam tão cansados de existirem.
O desapego chegara? Ou era a tristeza disfarçada de isolamento?
Derrepente,o que mais desprezava tornou-se alma sua.
Solidão.
Oh,solidão..quem diria que seria você quem me acolheria da desilução do mundo?
Me acolheria do decepcionamento das falsas e dissimuladas alegrias.
A hipocrisia vivi sorrindo para mim,e você solidão a afasta com seu rosto gelado.
Mas não sinto que devo te agradecer, mesmo sabendo que a morte é digna de agradecimento.
Continuo te desprezando,por mais que insista em me proteger.
Estou dormindo nos braços do esquecimento.
Meu berço é escupindo por pedras.
Lisas pedras acizentadas.
Não se iluda, não há beleza nelas.
Elas não aprenderam o mistério dos sonhos.
Até mesmo os pequenos e esboçados sorrisos plásticos se manifestam com pouca frequência.
Não quero encontrar a tristeza nos olhos de quem vejo
Ela mora em minhas pupilas.
Confusas.
Onde estão meu olhos? Eles se perderam?
Ou foram perdidos?
Para que adianta palavras mudas a ouvidos cegos?
Talvez tudo seja a sombra dos dias tentando me engulir.
A pergunta é : '' hoje devo permitir? ''
É irritante minhas constantes contradições, não vai demorar muito até alcançar a loucura.
Buscar felicidade e sofrimento é uma estupidez.
Sorrir e chorar.
Por que não me resumo a um apenas?
Que seja a alegria,mesmo que seja falsa.
Felizes aqueles que são ignorantes..e que não enxergam a cara feia das coisas.
Afagoda no lago profundo da noite, ainda é visível um feixe de luz.
A imagem das mãos enrudas e embaçadas que afundam buscam aquele..
Aquele feixe de luz envelhecido..
Lá e de volta a minha velha caverna.

domingo, 13 de setembro de 2009

Sobre pequenos garotos.

Garotos gostam de iludir
Sorriso, planos
Promessas demais
Eles escondem
O que mais querem
Que eu seja a outra
Entre outras iguais...
São sempre os mesmos sonhos
De quantidade e tamanho...
Garotos fazem tudo igual
E quase nunca chegam ao fim
Talvez você seja melhor
Que os outros
Talvez, quem sabe
Goste de mim...
São sempre os mesmos sonhos
De quantidade e tamanho...
Garotos perdem tempo pensando
Em brinquedos e proteção
Romance de estação
Desejo sem paixão
Qualquer truque
Contra a emoção...
Kid Abelha - Garotos

sábado, 12 de setembro de 2009

Sobre prazeres de Capitu.

''Seus dentes e seus sorrisos mastigam meu corpo e juizo. Devoram os meus sentidos''.
''É nos seus sorrisos que hoje quero viver, meus amores''.
Fico febril ,inconstante. Seus sorrisos e suas risadas são tudo o que meu ser esperou em águas passadas,nas presentes,e nas futuras em um submundo individual secreto. Me transforma em uma metáfora ambulante.
''Metamorforize''.
E seus olhos.
Ah! Seus doces olhos de ressaca..
Como me divirto nos momentos em que me perco neles.Viver mergulhada na doçura e na suas duvidosas profundezas, sem vontade de algum dia me encontrar.
Tenho impressão que são eles que me devoram.
Ou são os meus olhos que devoram os seus?
Pois então,olhos meus são tão famintos.
Também quero mudar de cor pelos lances de luz.
Por que vejo neles a inocência das crianças? E a fantasia que existem nas fábulas?
Me convidam a viajar por túneis da alma sua, minhas palavras tremem, me encontro naquele velho e único estado de paralizia momentânea, segundos imaginários, o tempo não existe, os dias parecem anos, os dias parecem noites, as noites parecem meses,os meses parecem segundos, os segundos parecem estações dos anos.
Esse inverno me esfria e eu ainda quero dormir.
Quem sabe nos meus sonhos possa viver clandestinamente e transbordarme em suas cores açucaradas..
Não entendo porque sempre me encontro em outra dimensão quando estou a falar sobre seus prazeres.
Prazeres, só minha Capitu tem.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Sobre desajustes.

''Os teus ossos não são feitos de vidro. Podes levar algumas pancadas da vida. ''
O fabuloso destino de Amelie poulain
[..]
No meu caso,não só algumas,tenho a impressão de ter que levar todas as pancadas da vida.
Vi-ver dói
Sonhar [re]constrói.
Estou tão calma como se nada houvesse sentido. Não existe a razão hoje.
Estou sendo manipulada por mãos transparentes.
Transparentes mãos grandes que neste momento estão me ninando em um ritmo lento.